Anualmente, 7,6 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade morrem no mundo por causas evitáveis. Um número equivalente a oito ônibus lotados de meninos e meninas mortos a cada hora, todos os dias.
Enquanto os EUA gastam, anualmente, 13,6 bilhões de dólares em batata frita, com um valor menor que esse (11,8 bilhões de dólares por ano) se alcançaria 90% das crianças em estado grave de desnutrição no mundo, salvando 1,1 milhão de crianças e prevenindo a desnutrição em outras 150 milhões de crianças.
Certamente, é também papel desse fórum mundial tratar das questões relativas à crise econômica no mundo, porém isso não pode reduzir o compromisso dos países desse mesmo fórum com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), firmados em 2000 para serem executados até 2015. É para que essas questões não sejam esquecidas em meio a discussões sobre como melhorar a economia mundial que representantes da sociedade civil participarão da reunião do G20 em Cannes na próxima quinta-feira (3).
A Visão Mundial é uma das ONGs convidadas a integrar essa comissão do G20 com quatro representantes dos 100 países nos quais tem sede, dentre eles o Brasil. “Esse grupo é responsável por 90% do PIB mundial e, portanto, tem uma grande influência sobre os países. O papel das organizações não-governamentais é garantir que temas vinculados ao desenvolvimento social estejam garantidos na agenda e a discussão não fique apenas nos temas econômicos. Esses países podem assumir compromissos claros, inclusive financeiros, para reduzir drasticamente a mortalidade infantil e materna e problemas de nutrição globais”, explica o Diretor de Programas da Visão Mundial Brasil, Maurício Cunha, que integra a comitiva da Organização no G20.
Além de garantir prioridade ao tema da saúde materno-infantil e nutrição, a Visão Mundial também acredita que quatro ações principais devem ser tomadas em conta pelos países membro do G20 para aumentar a segurança alimentar e nutricional nas partes mais pobres do mundo:
1. Trabalhar com os governos, as Nações Unidas, outros entes transnacionais, a sociedade civil e o setor privado para desenvolver uma estratégia global e mecanismos que garantam uma atenção precoce e respostas efetivas para prevenir a Insegurança Alimentar e a desnutrição.
2. Assegurar que Políticas e Programas de Segurança Alimentar e de Agricultura incluam resultados para aumento da nutrição de mulheres e crianças como um dos pontos fundamentais.
3. Implementar sistemas e mecanismos que reduzam preços extremos e voláteis, incrementando a transparência dos Mercados e reduzindo o impacto dos biocombustíveis no preço dos alimentos.
4. Prover melhor e maior apoio para a agricultura familiar e os pequenos produtores.